Nos dias 10 e 17 de setembro, a Associação dos Amigos do HC, em parceria com o Programa DEDICA, promoveu uma capacitação voltada a profissionais da Rede de Proteção da Criança e do Adolescente de Curitiba. A ação, que foi dividida em dois encontros, contou com a presença de 111 participantes. 

Integrando uma parceria entre a Associação e a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (SMS), o evento teve como tema principal a prevenção da violência contra crianças e adolescentes. 

Representando a SMS, a pediatra Ana Paula Hoffman de Andrade destacou a importância da iniciativa para aprimorar o trabalho da Rede de Proteção. “Estamos aqui para falar sobre algo que eu acredito que nenhuma criança e nenhum adolescente deveriam passar, que é a violência. Que a gente saia daqui muito mais capacitado, (…) que a gente esteja mais aberto a visualizar, a escutar, a proteger e a encaminhar esse adolescente ou essa criança”, reforçou Ana Paula. 

A capacitação, que contou com duas palestras em cada um dos dias, foi conduzida pela Dra. Luci Pfeiffer, coordenadora do DEDICA. O impacto do uso de telas sobre o desenvolvimento neuropsicomotor de crianças e adolescentes foi o tema da primeira palestra. Em sua fala, a coordenadora enfatizou a importância de prestar atenção aos hábitos e comportamentos relacionados ao uso de dispositivos eletrônicos. 

A relação entre infância e telas é uma preocupação do DEDICA desde o início do programa, quando o assunto ainda não havia tomado conta do debate público. Durante sua exposição, a Dra. Luci detalhou como jogos e aplicativos são desenhados para capturar a atenção, por meio de recompensas e repetição, prejudicando o desenvolvimento neurológico da criança e do adolescente. 

Além disso, foram discutidos os inúmeros riscos inerentes ao mundo digital, como troca de nudes, cyberbullying, exploração sexual e financeira, acesso precoce à pornografia e “desafios” perigosos nas redes. 

Embora a legislação brasileira tenha avançado em relação ao tema, a aplicação prática dessas leis ainda é restrita. A presença e o afeto dos adultos continuam sendo as ferramentas mais eficazes de proteção à infância. 

A segunda palestra abordou os sinais de alerta relacionados à desvinculação entre pais e filhos durante a gravidez e no primeiro ano de vida. Essa desconexão pode estar relacionada a quadros de violência e vulnerabilidade, entretanto, as situações precisam ser observadas e compreendidas dentro das condições emocionais e sociais de cada família. 

A conversa também trouxe reflexões sobre a importância da construção do vínculo desde a gestação. A Dra. Luci explicou que o bebê nasce em uma condição de total dependência, portanto, ele precisa de cuidado, proteção, estímulos e relações afetivas para se desenvolver. 

Outro ponto abordado, foi a necessidade de evitar que comportamentos infantis sejam automaticamente interpretados como transtornos ou problemas individuais.  Comportamentos considerados difíceis podem estar relacionados a situações de violência, negligência, falta de estímulos ou fragilidade dos vínculos. 

Por fim, a coordenadora reforçou que a proteção de crianças e adolescentes depende de uma atuação articulada entre diferentes setores. A ação integrada permite ampliar o olhar sobre a criança e sua família, favorecendo a identificação precoce de sinais de sofrimento e a oferta de cuidado e proteção. 

Ao final de cada dia de capacitação, houve um momento de troca e conversa entre os participantes. Dessa forma, eles puderam esclarecer dúvidas e compartilhar experiências e reflexões acerca dos temas apresentados. 

Por meio da parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba, os Amigos do HC e o DEDICA ampliam sua contribuição para a formação dos profissionais e para o fortalecimento de uma rede cada vez mais preparada para prevenir, identificar e enfrentar situações de violência contra crianças e adolescentes.